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Lançado em 2016, o sistema de monotrilho da BYD começou a ser implementado em diversas cidades da China antes de chegar a São Paulo. Por aqui, ele integra a Linha 17-Ouro do metrô paulistano, inaugurada nesta terça-feira (31).

Originalmente, o Governo de São Paulo planejou o monotrilho para ser lançado durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Após atrasos, problemas e bilhões em investimentos, a linha finalmente ficou pronta e conta com tecnologia da BYD, a gigante chinesa do setor de carros elétricos.

Para entender melhor o projeto, a CNN Brasil conversou com executivos da BYD sobre a tecnologia utilizada na linha. Confira!

O que é o SkyRail da BYD?

O SkyRail é uma tecnologia de monotrilho elétrico que opera sobre um trilho único suspenso. Na Linha 17-Ouro, os trens funcionam de forma automatizada, sem a necessidade de um operador para condução direta.

Por utilizar energia elétrica, o sistema é considerado mais limpo na questão ambiental, já que não depende de combustíveis fósseis.

De qualquer forma, um dos principais diferenciais é a bateria embarcada, que permite manter a operação por algum tempo mesmo em caso de falha no fornecimento externo de energia.

Skyrail e o monotrilho em SP

Em São Paulo, a Linha 17-Ouro conta com oito estações que ligam o Aeroporto de Congonhas ao Morumbi e percorrem 6,7 quilômetros. Inicialmente, a operação acontece de segunda a sexta, das 10h às 15h, de forma reduzida. A operação completa está prevista para começar em outubro de 2026.

Segundo o vice-presidente sênior e head comercial e de marketing da BYD Brasil, Alexandre Baldy, por enquanto este é o único projeto da companhia fora da China e o primeiro monotrilho com sistema SkyRail no Brasil.

“Esse projeto consolida um novo padrão de mobilidade urbana e abre caminho para a expansão dessa tecnologia em outras cidades da América Latina”, explica Baldy em mensagem à CNN Brasil.

A Linha 17-Ouro conta com as seguintes estações: 

  1. Morumbi (conexão com a Linha 9 - Esmeralda);
  2. Chucri Zaidan;
  3. Vila Cordeiro;
  4. Campo Belo (conexão com a Linha 5 - Lilás);
  5. Vereador José Diniz;
  6. Brooklin Paulista;
  7. Aeroporto de Congonhas;
  8. Washington Luís.

Por enquanto, a linha funcionará em sete das oito estações; apenas a estação Washington Luís ainda não estará em operação, com previsão de abertura a partir de junho.

Ao todo, 14 trens farão parte da nova linha de monotrilho SkyRail da BYD, cada um com cinco carros e capacidade para 616 passageiros. Inicialmente, apenas dois serão utilizados nessas primeiras viagens.

Também já foi autorizada a expansão da linha com a inclusão de quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis. Ainda não há previsão para o início das obras, mas o projeto deve acrescentar cerca de 4,6 quilômetros ao trajeto.

Capacidade e tecnologia dos trens da BYD na Linha 17-Ouro em São Paulo:

  • Capacidade para até 616 passageiros por trem;
  • 14 trens em operação na linha;
  • Trens com cinco carros interligados;
  • Aproximadamente 60,8 metros de comprimento e 3,1 metros de largura por trem;
  • Peso de cerca de 54 toneladas por trem;
  • Baterias Blade, tecnologia proprietária da BYD.

O custo total da linha foi de R$ 5,8 bilhões, sem incluir o investimento na expansão anunciada durante a inauguração, que prevê a construção de mais quatro estações.

Bateria garante funcionamento mesmo sem energia

Um dos diferenciais do monotrilho da BYD é a bateria embarcada nos trens, que permite que a operação continue por algum tempo mesmo em caso de interrupção no fornecimento externo de energia.

Segundo Baldy, a bateria garante autonomia para o veículo percorrer cerca de oito quilômetros em caso de interrupção de energia. Ou seja, isso permitiria ao trem completar mais uma viagem ao longo da Linha 17-Ouro, que tem aproximadamente 6,7 quilômetros de extensão.

“Isso significa que, mesmo em um cenário adverso, o veículo tem condição de chegar à próxima estação com segurança, evitando paradas em via. Em uma linha elevada, esse é um atributo importante de confiabilidade operacional e de proteção ao passageiro”, Baldy acrescenta.

A recarga da bateria é automática e acontece durante a operação normal do sistema, sempre que o trem está conectado à rede elétrica ao longo do trajeto. Além disso, o monotrilho aproveita a energia gerada nas frenagens para recarregar parcialmente o sistema, o que aumenta a eficiência e reduz o consumo.

Recarga sem paradas e reaproveitamento de energia

De acordo com o diretor técnico da BYD SkyRail no Brasil, Alexandre Barbosa, a bateria utilizada nos trens dispensa paradas específicas para recarga. Isso garante uma operação mais fluida, sem atrasos causados por esse tipo de procedimento.

Vale citar que, além de permitir que o trem continue em movimento, a bateria mantém outros sistemas em funcionamento, como iluminação, ventilação, comunicação e controle operacional.

O diretor técnico da BYD SkyRail no Brasil também destaca que a bateria conta com sistemas de segurança para prevenir falhas, incêndios e outros problemas técnicos. Ele explica que as unidades foram produzidas de acordo com padrões internacionais e passaram por testes rigorosos.

“Além disso, todo o sistema é integrado ao Centro de Controle Operacional (CCO) do Metrô de São Paulo, que acompanha em tempo real o funcionamento dos trens e permite respostas rápidas a qualquer eventualidade, garantindo alta confiabilidade operacional”, descreve Barbosa.

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